domingo, 22 de novembro de 2009

sem Titulo (2003)






Num rápido passar-de-olhos sobre as obras de Fernando Dias, um observador menos familiarizado com a arte contemporânea poderia sentir certo estranhamento. Quem sabe poderia até sentir certo desconforto com a forma e a matéria orgânica que constituem suas obras.
Embora possa não parecer, as obras de Fernando Dias são fruto de uma racionalidade lógica quase cartesiana.
Se o confronto entre forma, matéria e tempo cria expansão, e essa expansão é um processo permanente, logo, nada no universo é estável ou estático.
Partindo dessa premissa, Fernando questiona o sentido de verdade sobre as coisas visíveis, afinal, qual das formas, de algo que se transforma permanentemente, é a forma verdadeira?
Nenhuma forma é verdadeira. Todas estão verdadeiras.
A forma das coisas é a simulação de um instante visível que já não existe mais.
Cada momento da forma é uma verdade distinta que sucedeu a uma e antecederá a outra, porque forma e matéria não resistem ao tempo.
Pensando no universo cósmico como um espaço em expansão, não fica difícil de compreender melhor o porquê destas obras nesta exposição.
A escolha da matéria que constitue essas obras deve-se mais à sua adequação conceitual do que estética, embora, em sua concepção artística, haja uma preocupação acentuada também com o discurso estético.
A matéria escolhida, gel-parafina, é mais susceptível ao tempo, isto é, se transforma numa velocidade perceptível á escala temporal humana.
A estrutura de folha-de-flandres tem a função de suportar a matéria mole que o tempo se incumbe em dissolver.
A arte de Fernando não esta na matéria.
A arte de Fernando está na sua atitude de trabalhar o processo documentado cada instante de verdade.
Verdade que, se tentarmos prendê-la com nossos olhos, ela se dissolverá em nossa retina.
Dante Velloni



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