








O trabalho de Fernando Dias nos revela o resultado da ação diante da tensão que é dar forma ás coisas num mundo cada vez mais ditado pela ordem das aparências, de simulações desgastadas e dos discursos vazios que prevalecem dentro da ditadura reinante da boa forma. Fernando escapa dessa armadilha ao conferir à sua pesquisa um total distanciamento para com o objeto, deixando-o entregue à sua própria conformação – seus trabalhos anteriores já nos remetiam a uma reflexão sobre a estruturação da forma, ao retornar figuras platônicas puras e a transformação da matéria sob a ação do tempo.
A esse primeiro confronto entre forma, matéria e tempo, soma-se agora o espaço: se, num primeiro momento, o espaço da galeria proporciona as diretrizes que regulam racionalmente a localização e as dimensões do objeto, desta vez a ação do artista se faz presente e nega, violentamente, o resultado formal direto desta relação, destruindo sua rigidez geométrica e alcançando uma outra espacialidade “organizada” pelo acaso.
Se nos trabalhos anteriores o olhar não consegue se fixar na matéria que se dissolve, negando uma verdade única e, portanto, um ponto de vista dominante, aqui o olhar se descentraliza e se torna inquieto ao nos vermos inseridos dentro das diversas relações que constituem o espaço. Espaço que nos foge ao controle.
Adriano Canas












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